sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

 Pai e Filha no Caminho de Santiago
13 de abril de 2025. Pai e filha em frente a Sé do Porto

Família reunida, mesa cheia, conversas animadas. Eu e meu irmão sempre acabávamos nos mesmos assuntos: cultura pop, filmes antigos e, claro, música. Muita música. Depois que Paulo Coelho lançou O Diário de um Mago, um novo tema entrou para o repertório: o Caminho de Santiago.
Brincávamos que um dia faríamos o Caminho e escreveríamos O Diário de Dois Magos: Antonio Coelho e Luiz Coelho. Seria em 2010.
O que não estava nos planos era a vida passar tão rápido. Os anos foram passando, e 2010 ficou para trás. Em 2022, o Luiz faleceu.
Faz uns três meses, minha filha Juliana ligou, direto de Amsterdã, onde mora.
— Pai! Vou fazer o Caminho de Santiago!
Quase caí da cadeira. Como assim? De onde surgiu essa ideia?
— Desde criança ouvi você e o tio Luiz falando sobre o Caminho... e resolvi ir.
É preciso ter muito cuidado com o que falamos na frente das crianças, não é mesmo?
Ela iria sozinha!
Passei dias e noites pensando naquilo. Tinha a preocupação de saber que iria sozinha. E outra: aquele Caminho também pertencia a mim e ao Luiz!
A Sandra incentivou:
— Vai com ela. Você sempre quis fazer o Caminho.
Existem muitas rotas até Santiago: o Caminho Francês, o Caminho Inglês, o Caminho Primitivo, o Caminho do Norte... Faremos o Caminho Central Português, partindo da frente da Catedral do Porto. Serão cerca de 250 km, seguindo as setas amarelas e as vieiras, cruzando cidades e aldeias medievais.
Luiz, com certeza, nos acompanhará durante todo o Caminho.
Hoje, 13 de abril de 2025, começa nossa jornada.
Bom Caminho!





Pai e Filha no Caminho de Santiago
Primeiro dia – Do Porto a Matosinhos

Tiago foi um dos doze apóstolos de Jesus. Após os acontecimentos narrados nos Evangelhos, Tiago teria saído de Jerusalém e seguido até a Península Ibérica, o último pedaço de terra conhecido naqueles tempos. Além da região da Galiza, na Espanha, passou por Braga, Guimarães e São Pedro de Rates, em Portugal.
Ao retornar à Judeia, foi preso e decapitado.
Começamos o Caminho — e agora já somos, praticamente, peregrinos.
Da Catedral do Porto até a primeira parada, Matosinhos, foram pouco mais de 11,5 km.
É perto (pra se ter uma ideia, o metrô do Porto vem até aqui), mas já serviu como aquecimento.
Dia ensolarado e vento gelado.
Por mais que tenha praticado minhas caminhadas com a mochila nos últimos dois meses... “Treino é treino, jogo é jogo”, né?
Bom Caminho!

Convento dos Grilos, Cidade do Porto, Portugal


Farolim de Felgueiras, Porto, Portugal.

Forte de São Xavier.






Anémona de Matosinhos. 

Pai e Filha no Caminho de Santiago
Segundo dia – De Matosinhos a Vila do Conde

A ideia é fazer o Caminho Central Português, mas, nos primeiros dois dias, resolvemos seguir pelo Caminho da Costa, acompanhando a praia.
Ontem, do Porto até Matosinhos, foi um dia ensolarado, mas bem gelado. A temperatura não passou dos 18 graus. Mas, caminhando, foi tudo bem. O caminho de ontem foi todo por área urbana.
Hoje a coisa foi diferente...
De Matosinhos até Vila do Conde foram 24,1 km sob um frio de 13 graus, vento fortíssimo e muita chuva. Até uma tempestade de areia enfrentamos, ao passar por uma área de dunas próxima a Vila Chã.
Mas o que se vê pelo Caminho compensa.
O percurso todo durou mais de 7 horas, com cerca de duas horas de paradas para café, almoço e alguns desvios para fotos.
Amanhã a meta é chegar a Barcelos, pouco mais de 30 km, e começar o Caminho Central.
Deus nos ajude.
Bom Caminho.



Farol de Leça.

Igreja da Boa Nova.

Igreja da Boa Nova.

Passadiço, entre Matosinhos e Vila do Conde.

Obelisco da Memória, entre Matosinhos e Vila do Conde.


Vila Chã

Vila Chã

Vila Chã

Vila do Conde, Portugal

Convento de Santa Clara, Vila do Conde, Portugal

Convento de Santa Clara, Vila do Conde, Portugal


Pai e Filha no Caminho de Santiago
Terceiro dia – De Vila do Conde a Barcelos

O dia amanheceu frio, 8 graus, e chuvoso. Saímos às sete da manhã sob chuva forte. Numa rápida abertura de sol, chegamos a avistar um arco-íris, mas logo a chuva voltou. A chuva era tanta que erramos a saída de Vila do Conde. Tivemos de voltar 2 km para regressar ao Caminho.
A chuva não deu trégua até as 9h30 da manhã. No meio de toda aquela chuva, naquela temperatura, esquecemos até do peso das mochilas. A minha está com 10 quilos e a da Juliana com 8, mais ou menos.
Lá pelas 10 da manhã, o sol apareceu, depois voltou a chover, e tornou a abrir o sol. Foi o dia todo vestindo e tirando as capas de chuva. O Caminho nem sempre é fácil...
Assim como o tempo, as mudanças de paisagem também foram muitas: muitas aldeias, pontes antigas, bosques, terra batida, lama... Em alguns bosques, a cada curva, tínhamos a impressão de que encontraríamos os Terríveis Cavaleiros que dizem "Ni".
Hoje foram 31 km de caminhada. Foram cerca de 8 horas caminhando.
Amanhã o destino é Ponte de Lima.


O arco-iris de Vila do Conde foi o sinal de que enfrentaríamos muita chuva.



Mosteiro de São Simão da Junqueira, Arcos, Portugal



Ponte Romana de São Miguel dos Arcos.

O volume na barriga era minha câmera fotográfica, que carregava sob o poncho.

Um gato veio nos dizer "Olá". Coisas do Caminho.

São Pedro de Rates, Caminho Central Português.

Muita chuva e lama no Caminho.






Barcelos, Portugal







Pai e Filha no Caminho de Santiago
Quarto dia – De Barcelos a Ponte de Lima

Assim como ontem, o dia amanheceu com 8 graus e chovendo. Muito! Saímos para tomar café da manhã e pusemos o pé na estrada às 8h. E a chuva caía com força. Em poucos minutos, percebemos que nossos tênis estavam completamente ensopados. Choveu por mais de uma hora.
Quando a chuva parou, já estávamos longe de Barcelos. Ainda pegamos alguns quilômetros de chuva fraca, até que o sol saiu. Aí tivemos tempo de secar os pés, trocar de meias e prosseguir.
Passamos por lugares incríveis. Atravessamos um bosque cheio daquelas flores “Copo-de-leite”. Eu só conhecia aquele tipo de planta em “cativeiro”. Nunca tinha visto na natureza.
Alguns peregrinos já se tornaram conhecidos. Às vezes passam por nós, às vezes nós os ultrapassamos, sempre com a saudação: “Bom Caminho!”
Hoje foram 36 km de caminhada, e a jornada durou umas 10 horas, incluindo cerca de uma hora para a refeição.
Bom Caminho.


















Ponte de Lima.






Pai e filha no Caminho de Santiago

Quem fizer o Caminho Central Português, ao sair de Ponte de Lima precisa fazer uma visita ao senhor Manuel. Divertido e cheio de histórias para contar, carimba as credenciais dos Peregrinos, veste seu chapéu, empunha seu cajado e faz o ritual de tocar o sino. Sua oficina encontra-se bem no Caminho, com decoração que saúda os peregrinos em diversos idiomas além da contagem de todos os peregrinos que passaram por ali desde agosto de 2021. No momento em que saímos a contagem estava em 24.222.


Pai e Filha no Caminho de Santiago
Quinto dia – De Ponte de Lima a Rubiães

Saímos por volta das 8h30 da manhã e fomos até uma padaria tomar o café. Lá encontramos duas peregrinas holandesas super simpáticas e bem falantes, que gentilmente nos pagaram o café e seguiram seu Caminho.
Saímos da padaria por volta das 9h, sob uma chuva fraca que nos acompanhou o dia todo. O sol não deu as caras. Logo na saída de Ponte de Lima, passamos em frente à oficina do senhor Manuel, que carimbou nossos “passaportes” e nos desejou um Bom Caminho.
Muita lama na saída da cidade. Como é bom contar com um bastão de caminhada para testar o terreno antes de pisar!
Hoje nosso percurso foi de 17,7 km, que percorremos em quase 6 horas. Foi o dia de enfrentar a Serra da Labruja, com seus 400 metros de altitude. No início da subida, reencontramos as duas holandesas, mas logo nos separamos. A subida é bem íngreme, com trechos de pedra difíceis de atravessar — ainda mais embaixo de chuva. Várias quedas d’água e, quase no final da subida, a Cruz dos Franceses. A neblina deixava tudo com um visual misterioso.
Ao final da jornada, descobrimos que as holandesas estavam hospedadas no mesmo local que a gente.
Amanhã iremos atravessar a fronteira Portugal/Espanha — muito provavelmente embaixo de muita chuva.
Bom Caminho.


Saíndo de Ponte de Lima, sob garoa forte.


Sr. Manoel Martins, uma das personagens do Caminho Central Português.






Estávamos em plena Semana Santa. Os símbolos religiosos estavam por toda a parte.


As holandesas.

Serra Labruja




Aqui a subida começa, pra valer.

Era quase alpinismo!

A Cruz dos Franceses





O jantar em Rubiães


Pai e Filha no Caminho de Santiago
Sexto dia – De Rubiães (Portugal) a Tui (Espanha)

Como previsto, saímos da hospedagem debaixo de chuva. Fomos tomar o café da manhã num local à beira do Caminho, e lá encontramos outros peregrinos. As duas holandesas iriam sair mais tarde. Não as vimos mais durante o dia.
Hoje foram pouco mais de 30 km percorridos em cerca de 9 horas e meia. Exatamente às 11 da manhã, um cuco começou a "cantar" no meio da floresta. Finalmente, o sol apareceu por volta da 1 da tarde, mas as chuvas rápidas continuaram a cair. Passei o dia inteiro com a capa de chuva.
Passamos por diversas aldeias até chegar a Valença, última cidade portuguesa do Caminho Central. Cidade belíssima, cercada por uma fortaleza. Depois atravessamos a ponte sobre o rio Minho e chegamos a Tui, já na Espanha.
Em Tui, carimbamos nossas credenciais na linda catedral e de lá seguimos para a hospedagem. Foi aí que passei um dos maiores perrengues da minha vida.
A chuva ficou mais forte. O Caminho indicava uma direção que dava num local completamente alagado. Parecia que um riacho havia transbordado. Não havia como passar. Tivemos que retornar para a estrada e buscar outra alternativa. Entramos numa estradinha que era pura lama. Não havia como escolher onde pisar. Foi aí que meu pé afundou completamente na lama, e eu não conseguia encontrar um lugar firme para apoiar o outro pé. Não havia nenhum galho em que eu pudesse me agarrar. Fiquei preso. Literalmente atolado. Só consegui sair dali graças à Juliana, que estendeu a mão.
O Caminho tá difícil...
Buen Camino







São Pedro da Porta Aberta



As setas amarelas indicam o caminho para Santiago. As azuis levam ao Santuário de Fátima.






Valença do Minho, última cidade portuguesa do Caminho Central.

Valença do Minho, Portugal

Ponte sobre o rio Minho. A Espanha está do lado de lá.


Catedral de Tuí, Espanha.

Catedral de Tuí, Espanha.





Ponte Romana de Tuí

Pai e Filha no Caminho de Santiago
Sétimo dia – De Tui a O Porriño

Depois das aventuras de ontem, dormimos feito pedras e, como hoje o percurso seria curto, cerca de 9 km, resolvemos acordar mais tarde. Saímos para o café da manhã num local próximo à hospedagem e encontramos vários peregrinos por lá. Aproveitamos para carimbar nossas credenciais. Quase todos fazem o mesmo percurso, então é fácil ver caras já conhecidas.
Ontem pela manhã, encontramos um garoto com o qual cruzamos várias vezes durante o trecho Barcelos/Ponte de Lima. Ele nos ultrapassava e, alguns quilômetros mais à frente, o encontrávamos sentado sob um abrigo, lendo ou mexendo no celular. Depois nos ultrapassava novamente, e tornávamos a encontrá-lo mais à frente.
A caminhada de hoje foi tranquila, com chuva fina, um pouco de vento — que quase carregou nossas capas — e algumas aberturas de sol. Numa estradinha de terra que beirava um riacho, Juliana ouviu um barulho estranho mais à frente. Em sentido contrário, um rapaz com um cachorro nos avisou que acabara de cair uma árvore e que estava atravessada no caminho. Não havia como contorná-la. Tivemos que passar por cima.
Na chegada a O Porriño, a chuva apertou.
Vamos ver como será amanhã.
Buen Camino!













Pai e filha no Caminho de Santiago
Oitavo dia – De O Porriño a Redondela

Esta noite sonhei com meu irmão. Sonhei que esticava o braço para alcançar meu celular ao lado da cama e percebia que, no quarto onde estávamos, havia três camas, e o Luiz estava dormindo na cama do meio. Acordei e chorei. Coisas do Caminho.
A noite foi meio atribulada. Havia peregrinos dormindo em outros quartos, e uma alemã resolveu falar ao celular na sacada do prédio. Simplesmente não parava de falar, até que a Juliana levantou e pediu para a moça falar mais baixo, kkk... Deu certo. Juliana ainda teve que me cutucar para que eu parasse de roncar. Eita!
Saímos por volta das 9h30, sob uma chuva fina e frio de 8 graus. E continuou chovendo até a uma hora da tarde. Ao chegar em Redondela, paramos num café para comer alguma coisa, e na rua vimos passar um casal de peregrinos de Nova York que havíamos conhecido em Rubiães.
Hoje caminhamos pouco mais de 21 km em cerca de 6 horas. Da cidade do Porto até aqui, foram 181 km. Meus pés estão ok, sem bolhas nem dor. Apenas quatro unhas pretas no pé direito — mas essas unhas já estavam assim por conta das caminhadas que eu vinha fazendo para me preparar para o Caminho.
Por alguns dias tive dor no ombro esquerdo e, por conta do bastão de caminhada, dor na mão direita. Tudo resolvido com Dorflex e anti-inflamatório. Ah! Nasceu uma "bereba" no canto direito da minha boca.
Buen Camino!


























Pai e filha no Caminho de Santiago
Nono dia – De Redondela a Pontevedra

Saímos após o café da manhã. Fazia 12 graus, mas não chovia. Logo após a primeira curva do Caminho, tivemos que vestir, correndo, as capas de chuva. Foi uma chuva rápida, e depois ficou um dia agradável para caminhar. Mesmo com a temperatura baixa, me animei a tirar a jaqueta e ficar apenas de camiseta. Sem chuva é outra coisa. Posso pegar minha câmera fotográfica sem medo de danificá-la.
O que se vê muito por aqui são os espigueiros — construções que parecem capelas. Servem para armazenar o milho e protegê-lo de roedores e aves. Não me canso de fotografá-los.
O Caminho foi muito bonito. Passamos por várias aldeias, atravessamos bosques que, por conta das chuvas, estão bem elameados. Por volta das 10h30, um peregrino holandês passou por nós e nos informou sobre a morte do Papa. Seu nome era Marco, e ele estava fazendo o Caminho com a mãe, de 70 anos. Ela tem problemas de locomoção, então faz parte do trajeto utilizando algum meio de transporte. Marco iria se encontrar com ela na estação de Pontevedra.
Muitos peregrinos hoje pelo Caminho; Famílias, grupos...Teve dias em que andamos quilômetros sem avistar ninguém.
Hoje caminhamos quase 17 km. Agora são 17h30, o sol brilha forte e já fui fazer turismo no Centro Histórico da cidade.
Buen Camino!
































Pai e Filha no Caminho de Santiago
Décimo dia – De Pontevedra a Caldas de Reis

Saímos de Pontevedra com uma temperatura de 8 graus. Ainda estava escuro, mas nem sinal de chuva. Logo o sol apareceu e o céu ficou azul. Como ontem, me animei a tirar a jaqueta, mesmo com a temperatura não passando dos 15 graus. Caminhar esquenta.
Também pudemos tirar a capa de proteção das mochilas. Isso facilita muito, pois podemos pegar facilmente a garrafa d’água quando temos sede ou qualquer outra coisa na mochila.
Pela manhã, o Caminho estava cheio de peregrinos que, com a chegada da hora do almoço, vão sumindo. Ou param em algum restaurante na estrada, ou vão descansar...
Desde os primeiros dias de caminhada, uma coisa que sempre nos acompanha pelas manhãs é o canto dos galos. Algo que não tenho ouvido muito aqui na Espanha, mas que era comum em Portugal, é o badalar dos sinos das igrejas a cada hora. Às vezes, caminhando por um campo, era possível ouvir os badalos vindos de várias direções.
Hoje a caminhada foi de 22 km, que fizemos em 5 horas e meia. Já passeamos pela cidade e mergulhamos nossos pés sofridos numa fonte termal — há muitas por aqui, em Caldas de Reis.
Amanhã, o destino é Padrón.
Buen Camino!























Pai e Filha no Caminho de Santiago
Décimo primeiro dia – De Caldas de Reis a Padrón

Hoje o Caminho foi tranquilo e muito bonito. Foram 20 km em cerca de 5 horas. Muitos bosques, que agora já não estão tão enlameados, muitas aldeias, igrejinhas...
Hoje resolvi guardar o tênis e caminhar com minhas papetes. Meus pés agradeceram. As sandálias são resistentes, com sola de pneu e tiras amarradas com velcro — próprias para caminhar num dia ensolarado.
Apesar do frio, também deu para transformar minha calça de trilha em bermuda, bastando abrir dois zíperes. Acho que trouxe muita coisa na mochila — bermudas e camisetas que ainda não usei, e nem usarei.
Nas cidades por onde passamos existem lavanderias 24 horas, que lavam e secam a roupa. Então, não há com o que se preocupar.
Hoje, mais peregrinos do que ontem no Caminho. Muitos grupos de jovens.
Ao sair de Caldas de Reis, encontramos a Alemanzinha que a Juliana havia mandado falar mais baixo na nossa noite em O Porriño.
Mais à frente, vários peregrinos pararam ao lado de um riacho. Aproveitamos para comer os bocadillos oferecidos pelo senhor da nossa hospedagem.
Logo, um grupo de portugueses começou a cantar “Parabéns” para uma peregrina, e todos ali acompanharam.
E agora, em Padrón, tornamos a encontrar o Marko — agora acompanhado pela mãe.
Qual a possibilidade de um holandês e um brasileiro cantarolarem “O Canto das Três Raças”, da Clara Nunes, num café em Padrón?
Pois é, hoje isso aconteceu.
Buen Camino!

























Pai e filha no Caminho de Santiago
Décimo segundo dia – De Padrón a Santiago de Compostela

Hoje foram 25 km e, para mim, um dos piores dias. Subidas íngremes e intermináveis. O sol resolveu esquentar pra valer, apesar do frio de 11 graus pela manhã. Já pegamos nossos Certificados de Peregrinos, já visitamos a catedral e abraçamos Santiago. Acordar, nos alimentar, andar e cumprir uma etapa, nos alimentar, dormir, depois acordar... Assim é o Caminho. Sem luxos ou supérfluos. Às vezes o Caminho está bom: céu azul, sol. Às vezes está difícil: chuvoso, com subidas íngremes. Mas é preciso prosseguir. Caminhar é preciso! Como na vida — só que, na vida, não há setas indicando o caminho correto. Foram 254 km! Vi muitos vídeos no YouTube de peregrinos tristes nos últimos dias de caminhada, justamente por a jornada estar acabando. Realmente, é estranha a sensação de saber que o Caminho vai chegar ao fim. Dizem que Santiago não é o final, mas sim o início. Sei lá. Não sou de ficar filosofando. Deve ser o efeito dos cogumelos azuis que pisei em algum bosque encantado. Eu e a Juliana falamos muito sobre o Luiz, meu pai, minha mãe... Com certeza, eles estiveram com a gente durante todo o Caminho. Agradeço muito à Sandra, minha querida, que me incentivou a vir. Agradeço à Juliana, pela paciência. Conheci lugares, pessoas. Foi uma experiência incrível. Ouvi muitos peregrinos dizendo que já fizeram o Caminho várias vezes. Alguns repetiram o Caminho Português, outros já fizeram outras rotas. Se eu estiver saudável, um dia me aventuro por alguma outra rota. Buen Camino.














































Finalmente fizemos o Caminho.






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